Nova presença em Timor

Escrito el Abr 30, 2019

O Governo Geral, das Irmãs Hospitaleiras, está a estudar a possibilidade de abrir um novo centro de saúde mental na República Democrática de Timor Leste, um país localizado no sudeste da Ásia.

A Ir. Paula Carneiro, que viajou a Timor para realizar uma análise diagnóstica das necessidades de saúde mental daquele país, conta-nos a sua experiência:

Tendo sido uma das irmãs que em julho – agosto de 2017 juntamente com a Ir. Leopoldina Angélica para realizarmos uma análise diagnóstica das necessidades de saúde mental daquele país e a sua organização, recebi a notícia de que o Governo Geral considera a possibilidade de responder às necessidades de cuidados de saúde mental nesta área com imensa alegria e gratidão a Deus. Durante a visita realizada pudemos constatar as inúmeras necessidades dessa população neste campo da saúde. Os doentes ainda são “tratados” com recurso à tradição e a rituais culturais e religiosos muito antigos… não existe uma resposta organizada no âmbito da saúde mental, a não ser a dada pelos Irmãos de S. João de Deus, num centro que se situa no interior do país e isolado em termos de barreiras geográficas e naturais. Durante a visita realizada, destacamos o apoio e o acolhimento da parte dos Irmãos de S. João de Deus, sobretudo do Irmão Vítor Lameiras, atual Superior Provincial, assim como das entidades eclesiásticas e civis. Para nós foi deveras gratificante esta oportunidade de poder conhecer melhor e de forma mais próxima este povo, esta cultura e as suas necessidades.

Do que podemos constatar durante a visita parece-nos que a presença da Congregação é necessária para responder às necessidades da população ao nível da doença mental.

Parece-nos ainda que a necessidade maior se situa ao nível Maliane, o que permitir-nos-á abranger mais distritos: Liquiçá, Aileu; Ermera; Bobonaro; Cova Lima; Ainaro; Manufahi e Oecussi. Como cada distrito tem um enfermeiro responsável percebemos que em Maliane o enfermeiro está bastante organizado, e todo o trabalho no acompanhamento aos utentes poderá ser realizado de forma conjunta e sistemática.

Parece-nos que uma presença possível das irmãs poderia ter os seguintes objetivos:

  • Capacitar os profissionais dos distritos e sucos para a problemática da doença mental.
  • Apoiar o diagnóstico precoce sempre que necessário.
  • Realizar consultas de despite e tratamento para pessoas com doença mental.
  • Motivar ao tratamento e realizar folow-up dos casos já identificados.
  • Diminir o estigma associado á doença mental por parte da família.

De momento parece-nos que deveria ser desenvolvido através de unidade móvel de atenção comunitária junto da população e dos profissionais do terreno. Com um carro de transporte de “todo o terreno” poderemos assistir às populações e dar as consultas nos centros de saúde locais, sempre em articulação com as estruturas locais de saúde, numa linha de capacitação dos profissionais locais.