125 anos – uma travessia de amor

Escrito el May 8, 2019

Estamos a olhar uma realidade que se foi construindo com muito amor, dedicação e abnegação. Três mulheres, duas portuguesas e uma espanhola – Trinidad Franqueza com 39 anos, Maria da Luz Martins, 25 anos e Maria do Carmo Gil Manso com 24 anos…

…As duas Irmãs portuguesas eram oriundas, respetivamente, de Vila Fernando – Guarda e de Alfaiates – Sabugal.

É a esta tríada de Hospitaleiras que Bento Menni prepara e envia a implantar a Congregação em Portugal. O narrativo dos inícios desta fundação é icónico e paralelo às origens da Congregação em Ciempozuelos – Madrid, em 31 de maio de 1881.

Por um lado, a extrema pobreza, a ausência de materialidade, de recursos e, por outro, a força interior de uma fé inabalável, de uma certeza que as obras de Deus nascem de pequenas sementes que o Amor de caridade lança à terra da humanidade sofredora, e que o amor entranhável do Pai, encarnado e manifestado em Jesus de Nazaré, continuado pelos seus seguidores e seguidoras, hoje, faz germinar e crescer na seara da Hospitalidade.

Antes do envio das Irmãs, Bento Menni esteve diversas vezes em Portugal para marcar o que se pretendia realizar, as condições indispensáveis para responder à necessidade identificada de cuidar as pessoas com sofrimento psíquico. Havia um trabalho a montante, que poderíamos designar de “sapa”. Ele não deixava nada ao acaso. 

Continuemos nos inícios. As três Hospitaleiras são acompanhadas por Bento Menni até Madrid, ali recebem as últimas instruções. É o dia 28 de janeiro de 1894. Entrega-lhes os bilhetes da viagem para Lisboa, 25 pesetas em dinheiro e o seu chapéu de sol. É interessante falarem em guarda sol, porque todos nós o utilizamos sobretudo para nos abrigarmos da chuva, mas de facto é de sol, de luz, de calor, do fogo da caridade que Bento Menni fala, comunica, testemunha e envia com a palavra e o exemplo.

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